Câmara Municipal de Penela

Os valores humanos e o bem-Estar Psicológico

Os valores humanos e o bem-Estar Psicológico


Falar de Saúde Psicológica é contemplar a forma como nos percebemos, as nossas emoções, como nos relacionamos com os outros e de que modo tomamos decisões e gerimos a vida. Neste processo de interação constante connosco e com o mundo, os valores humanos desempenham um papel fundamental.

               Quando se conduz a vida com coerência e propósito, ao encontro dos valores defendidos, o bem-estar psicológico emerge. Pelo contrário, sempre que as nossas ações, atitudes e decisões divergem dos valores defendidos, o mais provável é que surjam conflitos interiores, acompanhados de ansiedade, vazio existencial, cansaço, sentimentos de culpa, enfim, mal-estar psicológico. Mas o ser humano busca continuamente bem-estar e um sentido para a sua vida, num processo de crescimento que depende de mecanismos biopsicossociais. Neste processo, o leque de valores pessoais, vai sendo ajustado, no sentido de conferir coerência interna. A perceção de bem-estar psicológico é subjetiva e a priorização dos valores é muito diversificada: honestidade, justiça, liberdade, família, segurança, conhecimento, aprendizagem, poder, autonomia, solidariedade, harmonia, responsabilidade, simplicidade, vitalidade, zelo, organização, prestígio, espiritualidade, sucesso e muitos outros.

Aquilo que é comunicado verbalmente, os comportamentos observados, o ambiente cultural, as vivências de mudança, conquistas e perdas podem ressignificar os valores iniciais. Alguém que experiencie uma doença limitante, pode passar a valorizar com mais intensidade a saúde, a família e a espiritualidade; quem sente, de perto, a opressão, tende a buscar a liberdade e o empreendedorismo; o receio da traição e da rejeição pode levar a uma maior valorização da lealdade e do respeito. Este processo, nem sempre é consciente, motivo pelo qual, algumas das ações desencadeiam sentimentos de insatisfação, sem, contudo, se conseguir identificar o que as motivou. Por outro lado, não raras vezes nos deparamos com a necessidade de tomar decisões em que entram em choque valores que, aos nossos olhos, são igualmente importantes, criando dilemas difíceis. Por exemplo, para alguém que valoriza igualmente a formação e a família, prescindir de tempo útil a favor de uma das opções em detrimento da outra pode ser difícil.

O autoconhecimento valorativo, ou seja, a compreensão dos princípios e crenças que guiam as nossas escolhas e o propósito de vida, passa pela capacidade de a pessoa refletir sobre quem é, como ambiciona ser, viver e relacionar-se e qual o sentido da vida. E porque vivemos em grupo, certamente nos damos conta que partilhamos os mesmos valores que movem as nossas ações, atitudes e decisões com alguns indivíduos, o que facilita as relações de confiança, a identificação e a cooperação. Contudo, há que ter consciência que nem sempre assim é, surgindo divergências que podem criar ambientes delicados no que se refere ao entendimento, podendo mesmo ser fonte de conflitos. Quer isto dizer que o bem-estar psicológico de uns pode ladear o mal-estar de outros, pois conciliar valores, motivações e projetos pessoais, em prol de um bem comum, não é tarefa fácil. A escala de valores pessoal e a priorização que cada um faz é muito própria, como é compreensível, uma vez que cada um tem a sua história de vida, as suas experiências e os seus propósitos. Cada indivíduo considera os seus valores positivos, mesmo que não sejam assim percebidos por outros, tornando-se esses valores internalizados e padrão-guia das atitudes, ações e decisões. Ter consciência desta realidade e desenvolver a capacidade de julgamento de si e dos outros, com acuidade, sensatez e respeito pela diferença, numa perspetiva humanista, baseada no diálogo e na negociação win-win facilita o bem-estar pessoal e social.

É neste sentido que propomos celebrar o Dia Mundial da Saúde Mental com uma reflexão sobre a forma como direcionamos as nossas escolhas pessoais, tendo em mente os valores que defendemos, procurando cultivar o bem-estar psicológico e social.

 

                                                                          Secção de Ação Social e Igualdade

     



Data

06/10/2026