"Dois terços do país está em vias de desertificação"
“Natureza quanto custa?” foi o mote do último Encontros no CISED que decorreu no passado sábado no Centro de Interpretação do Sistema Espeleológico do Dueça (CISED).
A tarde foi de sala cheia para assistir às intervenções Prof. Doutor John Hyatt (Manchester Institute), Dra. Cristina Rodrigues (Manchester Institute), Dr. Paulo Magalhães (Quercus) e Dr. Márcio Nobre (UC - Faculdade de Direito), moderadas pelo Prof. Doutor Lúcio Cunha.
A investigadora Cristina Rodrigues alertou, em Penela, para o facto de “dois terços do país estar em vias de desertificação” [Portugal é o terceiro país mais desertificado da Europa], defendendo a necessidade de envolver o poder local e regional nas medidas destinadas a diminuir as emissões de CO2 para a atmosfera e a travar as alterações climáticas.
“As acções têm de estar perto das pessoas. Deve ser o poder local e regional a contribuir para essas medidas”, preconizou a investigadora do Manchester Institut for Research and Innovation in Art and Design (MIRIAD), ao frisar que as alterações climáticas “afectam o quotidiano das pessoas”.
Dando o exemplo da “desertificação humana e do solo”, fenómeno ligado às alterações climáticas, Cristina Rodrigues disse que uma das formas de a combater é elaborar planos estratégicos de desenvolvimento rural, capazes de criar “estratégias que fixem as pessoas”, suscitando a diversidade vegetal e o ressurgimento da agricultura.
O docente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) Márcio Nobre, considerou que a produção de biocombustíveis “pode ser uma solução interessante nos espaços rurais em Portugal”.
Apesar de esta solução estar a ser questionada por alguns peritos, o assistente convidado da FDUC, que está a desenvolver uma investigação sobre a legislação nesta área, considerou que, em Portugal, com o desaproveitamento dos terrenos agrícolas, “essa solução faz sentido”, sobretudo se os biocombustíveis forem produzidos a partir de resíduos.
Paulo Magalhães, da associação ambientalista Quercus, considerou, ao intervir na sessão, que “o direito do ambiente [ainda] não organizou as novas relações que surgiram com a questão ambiental”.
Segundo o autor de “O Condomínio da Terra”, os juristas “ainda não conseguiram criar um sistema para o planeta” em que este património “tenha soberania”.
O Director do MIRIAD, John Hyatt, foi outro dos oradores na iniciativa, moderada por Lúcio Cunha, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.


