Câmara Municipal de Penela

Estreia da peça de teatro



Integrado no programa de animação da Rede dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, o Município de Penela está a promover uma ação em artes cénicas com a apresentação da peça “Caspirro”, relembrando um episódio marcante da crise de 1383-85, que evidencia como um acontecimento de nível local pode contribuir para a redefinição do destino de uma nação.

Esta historia teatralizada é baseada no relato de um episódio verídico que relata a insurreição da população de Penela, liderada por um homem do povo de nome Caspirro, que teve o arrojo de derrubar do cavalo e matar D. João Afonso Telo – Conde de Viana e Senhor de Penela – quando este, partidário de D. Leonor Teles e do Conde Andeiro, defensores dos interesses de Castela, deu ordem para executar um ladrão faminto.

Esta iniciativa, desenvolvida pela Razões Poéticas – Associação Informal de Artes, com sede no Espinhal, responsável pela produção e encenação do espetáculo, e pela Escola Superior de Educação de Coimbra, que realizou a investigação científica dos conteúdos e disponibilizou os seus alunos para integrarem o corpo de atores, assume-se como atividade pedagógica ao contribuir para a difusão da História, para além de constituir um excelente veículo de valorização do património construído, no caso as fortalezas medievais, reforçando a identidade local enquanto contributo diferenciador para o desenvolvimento do território.

Esta peça, especialmente desenhada para ser levada a cena no contexto real dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, vai ser, para já, apresentada, também, no Castelo de Montemor-o-Velho e na Torre Sineira de Miranda do Corvo.

A estreia da peça decorreu no sábado, dia 26 de Maio, no Castelo de Penela, integrada na programação da Feira
Medieval, com apresentações nas tardes de segunda, terça e quarta-feira, especialmente vocacionadas para os alunos das escolas do Concelho.

Segundo o encenador António Jorge, da Razões poéticas “o teatro ao ar livre, modifica poeticamente o espaço e, ao mesmo tempo, abre-se para as inúmeras e possíveis interferências, como sons, falas, vento...e deve-se ter atenção para não quebrar o elo de ligação entre o publico e o elenco, nomeadamente o volume de voz e a perspetiva da visão”.
Por seu lado, uma das atrizes envolvidas, Cátia Barbosa da ESEC, confidenciou que: “Já não é novo para mim, mas com a pesquisa da peça e o estudo do guião, aprendi muito... a direção do público à nossa volta e a adaptação aos vários espaços nos outros monumentos são uma grande desafio para uma atriz”.

“Quando se imaginaria que o teatro com historia ganharia tanta força em Penela?”, ouvimos, sem querer, a um dos
visitantes em comentário discreto, mas preciso, sobre o espetáculo “Caspirro”, com encenação de António Jorge das Razões Poéticas, interpretado por atores do 1º ano do Curso de Animação Sócio Educativo da Escola Superior de Educação de Coimbra e que segue a temporada no dia 2 de Junho, em Penela, dia 9 em Montemor o Velho e termina em Miranda do Corvo, no dia 17.

Gente que nunca havia assistido a uma peça de teatro neste cenário pôde conferir e emocionar -se, quase se misturando com os atores, com o relato do herói Caspirro, num tempo em que existia fome e havia uma crise em Portugal. “Nem sabia que existia teatro assim ”, revelou a pequena e ingénua Carla Monteiro, 13 anos, que pela primeira vez assistiu a um espetáculo teatral e logo num castelo.

“Por ser ao ar livre, é como se fizéssemos parte do espetáculo”, analisou o estudante de História, Pedro Silva, ao assistir pela primeira vez ao espetáculo “Caspirro”, no sábado, no castelo de Penela.

José Vieira Lourenço, professor de filosofia e ator-encenador, afirmou “ isto é um produto endógeno extrapolado...um Martim Moniz cá do sitio...”.

É provável que há uns anos atrás fosse impensável para a maioria das pessoas imaginar que um Castelo poderia ter a força de atrair cerca de 400 espetadores para assistirem a uma peça de teatro concebida, produzida e encenada localmente. Felizmente houve sempre alguém que acreditou, que ousou sonhar e teve a lucidez de antever que um castelo, quando devidamente aproveitado, pode constituir um importante fator de desenvolvimento, se tivermos disponibilidade para sairmos da nossa zona de conforto e arriscarmos.

Sentir este triângulo que se constrói em cada apresentação envolvendo e mesclando a assistência, os atores e as incertezas dum cenário a céu aberto, prova que, quando somos capazes de reunir competências e conhecimentos diferenciados à volta de um objetivo comum e perfeitamente definido, o impossível não existe e os territórios conquistam novas dinâmicas e as suas populações reforçam os seus níveis de autoestima que lhes conferem a confiança indispensável para vencerem as dificuldades com que se deparam.

Veja aqui o teaser e venha visitar-nos! A entrada é gratuita!



Realização e Produção video-gráfica: Filmes da Vila

Coordenação artística: RAZÕES POÉTICAS

Parceiros:
ARCA - EAC - Escola de Artes de Coimbra
ESEC - Escola Superior de Educação de Coimbra

INFORMAÇÕES E MARCAÇÕES:
239561132 | recriacoespenela@gmail.com



Data

30/05/2012