Rabaçal foi tema de debate no CEHLR SDA
Miguel Pessoa, arqueólogo, museólogo e coordenador do Villa romana do Rabaçal foi o convidado deste mês para o Seminário Permanente no Centro de Estudos de História Local e Regional – Salvador Dias Arnaut, em Penela, que completou já um ano de ciclo de conferências.
Sob o tema “Villa Romana do Rabaçal 1984-2010: Generosidade da Terra e Solidariedade dos Homens – 25 anos de trabalhos arqueológicos” fez uma breve contextualização histórica referindo que Santos Rocha é o arqueólogo que encontra a 1ª peça dos “vestígios romanos que aparecem atrás da aldeia”. Uma riqueza de achados arqueológicos que viriam posteriormente a identificar-se como pertencentes a “Villa Romana do Rabaçal”.
O Museu da Villa Romana - um dos grandes momentos de todo este processo – abriu as sua portas em 2001, era então presidente da Câmara o Dr. Fernando Antunes. Estuda-se história local, etnografia, arte, e todo o processo da romanização. Faz-se uma forte aposta na divulgação, dirigida a determinados públicos-alvo, com forte incidência na população jovem, no sentido de trazer visitantes ao Museu e Villa Romana do Rabaçal.
Ao longo dos anos, são também os jovens voluntários de Penela, que assumem as campanhas arqueológicas, realizadas anualmente, podendo assim transmitir às gerações vindouras a importância destes achados arqueológicos no seu concelho.
A Villa, que pertencia ao território da civitas de Conímbriga, é composta pela domus (casa senhorial), o balneário, a casa da nora e a a pars rustica, no ponto mais elevado da vila, onde encontramos a casa da lavoura, pátio e oficinas, entre outros. Relativamente aos mosaicos, Miguel Pessoa refere que os mosaicos das “estações do ano” são um dos ex-libris da Villa, tendo posteriormente aparecido outros de maior dimensão e importantes também pela sua raridade em Portugal.
Desempenhando o Museu um importante papel na divulgação histórica, patrimonial e cultural da região, tem sido trabalhadas ao longo dos anos, várias exposições permanente que chamam a atenção dos visitantes para o território e os seus produtos endógenos, bem como da sua importância, para a identidade da região Terras de Sicó.
Miguel Pessoa chamou ainda a atenção para o Plano de Salvaguarda da Villa Romana do Rabaçal já diagnosticado e que importa implementar. Este programa prevê 5 subprogramas: obras de proteção (inclui cobertura - uma proposta Siza Vieira - e acessos); conservação; melhoria das condições de estudo; escavações; programas e parcerias.
O coordenador do espaço arqueológico e do museu do Rabaçal terminou a sua intervenção fazendo ainda um olhar sobre o Rabaçal deste nosso tempo e referindo que muita coisa foi já feita mas muita coisa há ainda para fazer, sendo para isso importante a captação de fundos para desenvolver projetos futuros.
